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Ortopedista explica a importância de não normalizar dores durante o treino para crianças e adolescentes.

 

Incentivar crianças e adolescentes a realizarem atividade física é uma forma de acostumar o organismo, desde cedo, a um hábito saudável que irá promover uma série de benefícios à saúde. Mas é importante orientar os pequenos sobre as possíveis  lesões no treino para que eles consigam notar os sinais que o corpo dá quando algo não vai bem.
O médico ortopedista especialista em joelho que atua na Seleção Brasileira de Futebol Feminino, João Hollanda, explica que durante a infância e, principalmente, na puberdade, há uma fragilidade das placas de crescimento, áreas de cartilagem dos ossos longos que permitem o alongamento até a pessoa a atingir a sua estatura. “Muitas das lesões nos jovens atletas estão relacionadas a esta estrutura”, afirma o especialista.
Ele destaca que entre os problemas mais comuns estão a doença de Sever, uma inflamação dolorosa no calcanhar; a doença de Osgood-Schlatter, responsável por causar dor, inchaço e sensibilidade na região anterior do joelho; e a osteocondrite dissecante, que pode manifestar-se de forma silenciosa e, posteriormente, resultar em dor, inchaço, estalos, rigidez ou travamento articular, que acomete mais comumente os joelhos e os cotovelos. ”Lesões da placa de crescimento podem comprometer de maneira definitiva o tamanho do osso acometido e, em alguns casos, causar deformidade”, alerta João Hollanda.
Alterações corporais da adolescência interferem

Outro fator que requer atenção pois aumenta os riscos de lesão durante a prática de exercícios físicos é a transformação do organismo na adolescência. “De uma hora para outra, o corpo cresce, fica mais forte e mais pesado. O atleta passa a correr mais rápido e saltar mais alto, mas leva um tempo até que encontre um novo estado de equilíbrio”, avalia o ortopedista, destacando que nessa fase é comum que os atletas passem a cometer erros técnicos que, até então, não cometiam.
Neste processo de adaptação às transformações do organismo, os atletas ficam mais suscetíveis a outros tipos de lesões como o entorse de tornozelo, o entorse do joelho e a ruptura do ligamento cruzado anterior que ocasiona dor, inchaço e limitação funcional.

 

Diálogo com especialistas

Na avaliação de João Hollanda,  é importante orientar crianças e adolescentes sobre as lesões para que possam identificar qualquer sinal que mostre que o corpo não está reagindo bem aos exercícios. “Eles devem ser educados de que a dor não é normal, especialmente nesta faixa etária, e ser estimulados a “escutar o corpo” sem ter vergonha de pedir para parar ou para pegar mais leve com o treino”, orienta.

O ortopedista ressalta que o diálogo deve ser um trabalho associado de toda a equipe que atua com a criança e o adolescente. Conversar sobre as possibilidades de lesões é uma forma de ajudar na prevenção desse tipo de problema, mantendo os jovens atletas informados sobre o assunto. Mas é válido destacar os benefícios para a criança e o adolescente de realizarem atividade física regular.
Os exercícios promovem o bem-estar físico e mental, ajudam a combater a obesidade infantil, estimulam a convivência em grupo, ensinam sobre disciplina e responsabilidade, desenvolvem a coordenação motora, dentre outros benefícios.

 

Texto: Assessoria
Foto: Divulgação