Outubro Rosa

Enfermeira fala sobre os primeiros sintomas da doença e psicóloga detalha a importância de cuidar da saúde mental das pacientes com diagnóstico positivo

O mês marcado como o da conscientização sobre a importância da prevenção ao câncer de mama está terminando. Criado em 1990, em Nova York, para falar sobre a doença e levar informações importantes ao maior número de pessoas, o Outubro Rosa se tornou ainda mais necessário no momento atual, visto que 62% das mulheres esperam o fim da pandemia para voltar à rotina de cuidados com a saúde, segundo pesquisa realizada pelo Ibope.

- Este é o câncer que mais atinge mulheres em todo o mundo e no Brasil é a maior causa de morte por câncer entre as mulheres. Mas se diagnosticado precocemente, a chance de cura é maior que 90%, diz a coordenadora do curso de Enfermagem da Estácio Resende, Alana Correa.

Quando a mulher recebe diagnóstico positivo da doença, os suportes familiar e psicológico se tornam fundamentais ao tratamento, como destaca a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Estácio Resende, Iara Farias.

- O diagnóstico de uma grave doença não é algo fácil de se receber. Pode ser, em alguns casos, encarado como uma sentença de morte, uma vez que existe uma representação social de que todos os casos de câncer caminhem para este fim. A família pode então se tornar um porto seguro para esta paciente, se mostrando disponível e acolhendo suas demandas, ajudando a fortalecer a fé da pessoa que já tem crença, acompanhando as consultas médicas e incentivando que a pessoa procure ajuda psicológica profissional.

A figura do psicólogo, segundo Iara, ajudará a paciente a lidar melhor com as emoções que este tipo de situação gera, como a sensação de uma espécie de luto, que se refere à perda de um corpo saudável, e que pode fazê-la vivenciar as 5 fases do luto: Negação (procurando formas de não entrar em contato com a realidade);  Raiva (se revolta com o mundo, se sente injustiçada e não se conforma);  Barganha (fase em que começa  a negociar com si mesma, dizendo que será uma pessoa melhor quando se curar); Depressão (a paciente se isola e fica melancólica); e Aceitação (o estágio em que consegue enxergar a realidade, ficando pronta para enfrentar o resultado que vier).

- O acompanhamento psicológico vai ser importante para ajudar a pessoa a identificar e passar por estas fases. O psicólogo usará técnicas para auxiliar no entendimento e manejo adequado das emoções para que a enfermidade não gere um transtorno emocional que possa levar a uma piora do estado físico. Somos seres integrados, corpo e mente são mutuamente afetados, o que acontece no corpo afeta a mente e vice-versa. Procurar apoio psicoterapêutico será parte integrante de um tratamento integral, que considera a nossa completude, afirma Iara.

Prevenção e sintomas

O exame preventivo é importante para que a mulher possa identificar o câncer antes dos sintomas se manifestarem e é recomendado pelo Ministério da Saúde que a partir dos 50 anos de idade elas realizem uma mamografia a cada dois anos, além do exame clínico realizado por um profissional da saúde. A coordenadora de Enfermagem da Estácio Resende diz que, além disso, é necessário que as mulheres realizem o autoexame mensalmente, 7 dias antes ou depois do início do período menstrual.

- Em frente a um espelho, com um dos braços erguidos e a uma das mãos atrás da cabeça, a mulher deve usar a outra mão para apalpar suas mamas e axilas, para verificar se há algo diferente do normal naquela região, como um nódulo, por exemplo, que é um dos primeiros sintomas desse câncer. Além disso, ela deve ficar atenta a sinais como endurecimento das mamas, retração mamária, erosão da pele, vermelhidão, ardência, secreção que sai do mamilo, afundamento do mamilo, mamas assimétricas, e pele com aspecto de casca laranja, áspera.

 

Mesmo tendo a explicação sobre como realizar o autoexame, muitas mulheres ainda não se sentem seguras para executar, na prática, o procedimento. Para reforçar o passo a passo explicado pela Alana, estudantes de medicina do CAMAR (Centro Acadêmico de Medicina Maria Odilia Teixeira da Estácio Angra dos Reis) e integrantes do projeto da Liga Acadêmica Angra dos Reis de Ginecologia e Obstetrícia, produziram um vídeo, disponível para visualização no link https://youtu.be/MJRhEqA0yv0. O autoexame não faz parte dos exames de diagnóstico e não dispensa a consulta médica e a mamografia. No entanto, é um método eficiente para o autoconhecimento que pode ser utilizado para que as mulheres possam reconhecer quando há algo de diferente na mama. O objetivo da iniciativa é fazer com que mais mulheres saibam como realizar o procedimento.

 
Texto: Assessoria
Foto: Divulgação