tn_Lei de RastreamentoGoverno cede aos pedidos das montadoras e adia, por mais uma vez, a obrigatoriedade da implantação de rastreadores em veículos que saírem de fábrica. A decisão gerou mal-estar e desanimou os fabricantes de rastreadores

Sabemos que o problema de roubo de cargas é diário e permanente. Porém, algumas medidas vêm sendo discutidas para diminuir este problema. Pesquisas apontam que houve uma queda de 40,3% em furtos de cargas no primeiro semestre de 2013, e, no segundo semestre do mesmo ano, o percentual caiu ainda mais: 39,09%. O número de casos diminuiu devido ao remanejamento de policiais e adoção de novas técnicas de investigação, como a troca de informações entre as unidades da Polícia Civil e outras organizações policiais. Um dos pontos que está sendo discutido é a Lei do rastreamento de veículos. A tentativa de fazer valer a lei tem um histórico conturbado e começou anos atrás.

Em 2014, não está sendo diferente: o Governo adiou a implantação para mais 24 meses. A Editora Na Boléia conversou sobre o assunto com Cyro Buonavoglia, Presidente da Buonny Projetos e Serviços e também Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento (Gristec), que entende que paradas em postos de abastecimento geram maiores chances de a carga ser furtada. Segundo ele, esses pontos de parada atraem tráfico de drogas, prostituição e assaltos. “Onde há tráfico e prostituição, com certeza, também haverá roubo de cargas. O bandido sempre se aproxima de motoristas de caminhão, sonda seu destino e o que ele carrega em suas cargas. Contudo, o que pode ajudar a encontrar essas cargas é o rastreamento de veículos”, analisa.

Existem quatro tipos de rastreadores: o via satélite, o celular, o híbrido (abrange as duas formas) e o rádio. Também foi desenvolvida a isca de carga. Trata-se de um rastreador de alta tecnologia, com bateria de duração de até sete dias. Sua base é magnética (imã), e o usuário consegue acompanhar o trajeto da carga pela internet. “Com a Isca, conseguimos localizar a carga onde ela estiver, em qualquer lugar do País”, explica Buonavoglia.

O executivo ainda revelou que a região central de São Paulo é líder em número de ocorrências. “As regiões Sudeste e Sul são as que registram o maior número de ocorrências de roubo e furto de cargas. O motivo é simples: as áreas mencionadas reúnem cerca de 70% da produção, importação e exportação do Brasil, o que facilita a concentração dos riscos. Por outro lado, também está nessas regiões o maior mercado consumidor de cargas roubadas, que são vendidas pelos receptadores, também fortemente concentrados na área”, acrescenta.

Sobre a vigência da lei do rastreamento, Buonavoglia diz que o setor está de mãos atadas. “Não existe explicação para o adiamento desta discussão. Nós, do mercado, dependemos do Governo, e, sendo assim, o jeito é esperar”, finaliza Buonavoglia.

 

Texto: Assessoria
Foto: Divulgação