Tecnologia e segurançaInovações incentivam investimentos para tornar as atividades no
“chão da fábrica” mais seguras, rápidas e eficientes

 

Houve um tempo em que, para evitar acidentes com operadores nas linhas de produção, as indústrias precisavam recorrer exclusivamente a portas com fechos magnéticos ou sensores individuais. Para que o sistema fosse capaz de detectar dedos, mãos e braços dos trabalhadores, era necessário regular uma cascata de sensores, ajuste que muitas vezes era mais custoso e complexo do que o desejável.

Felizmente a indústria evoluiu, assim como a tecnologia aplicada à segurança. Chegaram já há alguns anos ao Brasil as cortinas de segurança, que utilizam recursos ópticos avançados para detectar quando um operador se aproxima de uma área de risco. O equipamento é programado para proteger uma face da máquina, impedindo movimentos quando acionado, o que previne acidentes.

O conceito é semelhante ao dos scanners de área, ainda mais modernos e avançados, capazes de atingir uma área de alerta de até 40 metros e de captar um ângulo de 275°. Enquanto são necessárias até quatro cortinas para a cobertura de um determinado perímetro quadrado, o scanner abrange o mesmo espaço com dois equipamentos — e suportando até os ambientes com interferências de sujeira, luz ou obstáculos físicos. Os scanners são ainda imprescindíveis para a operação de veículos e empilhadeiras autônomas dentro das fábricas, para evitar colisões.

Soluções antigas e atuais podem coexistir em uma fábrica. Outra boa notícia é o fato de que aos poucos as tecnologias vêm se tornando mais acessíveis a indústrias de menor porte. Tome-se o caso das cortinas de segurança: antes restritas a linhas de produção mais avançadas, hoje têm preços que até microindústrias podem pagar. E os scanners seguem a mesma tendência.

A qualificação da mão de obra também ajuda a difundir as novas tecnologias. A indústria brasileira conta hoje com profissionais atualizados e capacitados a operar os mais variados tipos de equipamentos. As próprias soluções estão mais didáticas, com interfaces mais intuitivas — muitas vezes exigem apenas noções básicas de Windows para a operação.

Está na ausência de equipamentos de segurança a explicação para grande parte dos cerca de 700 mil acidentes de trabalho que ocorrem por ano no Brasil, segundo dados do Ministério do Trabalho. Estima-se que no primeiro trimestre de 2018 os benefícios previdenciários relacionados a acidentes de trabalho tenham atingido o volume de R$ 1 bilhão. Fica clara, portanto, a importância social e econômica da incorporação das novas tecnologias de segurança ao ambiente fabril.

Incorporar as soluções de segurança compatíveis com atividade industrial é importante, ainda, para as empresas se adequarem à NR12. Trata-se da norma que estabelece os princípios de segurança para que se garanta as condições mínimas de prevenção de acidentes na utilização de máquinas e equipamentos. Cumprir o que determina a lei nunca foi tão necessário, já que a fiscalização também está mais rígida e eficiente. Dependendo do tipo de acidente, o valor de uma multa pode facilmente superar todo o investimento que poderia ter sido feito nas adequações de segurança. Não é raro encontrar exemplos de unidades fabris enormes que, por falta dos equipamentos certos, tiveram a operação paralisada por dias e prejuízos milionários. Vale a pena correr o risco?

Automotiva, alimentícia, têxtil ou de saúde. Não importa o segmento ou o tamanho da indústria: a implementação de tecnologia vai além da garantia de segurança para os trabalhadores. Com a digitalização das fábricas, é igualmente possível monitorar processos, aumentar a disponibilidade das máquinas e evitar paralisações. Segurança, produtividade e redução de custos são conceitos que, invariavelmente, caminham juntos.

 

Texto: Domingos Mancinelli – Diretor de vendas da Datalogic na América Latina
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