Exposição sobre futebol femininoA exposição Espaço Futebol para Igualdade foi inaugurada ontem (4) no Museu da República, no Rio de Janeiro, em clima de incerteza. A mostra ocupa três salas do museu, que está em greve desde o dia 12 de maio, e, por isso, apenas suas atrações externas devem ficar abertas à visitação, pelo menos enquanto durar a paralisação.

A trajetória do futebol feminino no Brasil e a participação das mulheres no esporte são os principais temas da exposição, que também abordará projetos de transformação social pelo esporte e inclui filmes e oficinas. Painéis, fotos e três mini quadras foram montadas para atividades no jardim do Palácio da Catete, onde funciona o museu.

Para a abertura da exposição, representantes das organizações não governamentais Streetfootballworld e Redeh negociaram com o comando de greve de servidores da Cultura para que as três salas que abrigam dezenas de fotos e a história do futebol feminino no país pudessem ser abertas hoje. A partir de amanhã (5), no entanto, segundo os grevistas, apenas a parte de fora da exposição ficará disponível.

“Foi feita uma solicitação da diretora do museu para que a exposição pudesse ser inaugurada hoje e que tivesse um evento amanhã. O comando de greve entendeu que isso poderia ser atendido mediante a abertura de um espaço para falar sobre a greve, e esse é o acordo que fizemos até agora. A gente tem feito acordos assim porque o nosso objetivo não é prejudicar ninguém”, disse Fernanda Castro, representante do comando de greve no Rio de Janeiro.

Eleita cinco vezes a melhor jogadora de futebol do mundo, a atacante Marta é madrinha do projeto e lamentou que algumas salas da exposição possam ficar fechadas. Ela defendeu a mostra como uma forma de divulgar o futebol feminino no país. “Aqui estamos resumindo a história do futebol feminino, como começou e onde a gente quer chegar. É uma vida toda aqui e essa é a importância que a gente tem de abrir portas para as mulheres. A gente tem que aproveitar esse momento para divulgar cada vez mais”.

A diretora da ONG streetfootballworld no Brasil, Mirella Domenich, disse que está em diálogo constante com os servidores. “A gente acredita que eles estão defendendo uma causa extremamente justa, que vai ao encontro do nosso trabalho, que tem uma base muito grande de direitos humanos. Quanto à situação do museu, a gente vai discutindo isso dia a dia com eles”.

Hoje, a Justiça determinou que os servidores do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) voltem ao trabalho. De acordo com um dos diretores da Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef), André Angulo, ainda não houve notificação oficial. Quando houver, os sindicatos tentarão entrar com um mandado de segurança para derrubar a liminar obtida pelo governo. Amanhã, o Ministério da Cultura vai se reunir com os grevistas às 11h30 na Esplanada dos Ministérios.

Os servidores pedem melhores condições nos museus e prédios do Ministério da Cultura, melhores salários e o cumprimento de acordos trabalhistas anteriores. Entre as pautas está a equiparação dos salários com servidores da Agência Nacional de Cinema e da Fundação Casa Ruy Barbosa. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, no entanto, argumenta que não há espaço fiscal para aumentos neste ano e que já está em vigor um acordo que prevê um aumento de 15,8% para os servidores em três anos, terminando no ano que vem. Os grevistas se queixam de que esses ganhos não cobrem as perdas da inflação e afirmam que o salário já vinha se desvalorizando nos últimos anos.