tn_Parceria entre Guarda Civil e universidade de Vassouras vai criar protocolo de treinamento de cães de resgate 

 

A Guarda Civil e a Universidade Severino Sombra, de Vassouras, estão efetivando uma parceria que tem o objetivo de melhorar o treinamento de cães de resgate e salvamento. A faculdade vai ceder materiais que vão ajudar a aprimorar o faro dos animais para a busca de sobreviventes ou corpos em escombros. Em contrapartida, o treinamento realizado pelo canil será alvo de um estudo acadêmico para criar um protocolo desse tipo de treinamento – que não existe na literatura científica brasileira. Para isso, todos os envolvidos (tanto do lado da Guarda quanto da universidade) estão se cadastrando junto ao Ministério da Saúde e vão registrar cada passo que for dado durante o estudo.

Esse procedimento é mais um passo para ajudar a implantar um serviço que não existe na cidade, que é a detecção em escombros. Para se ter uma ideia da importância disso, em 2011, um cão foi trazido pela ONG Cães de Resgate e ajudou a localizar seis corpos soterrados no Vale do Cuiabá. Agora, esse serviço será fixo em Petrópolis.

“Lógico que a gente espera nunca precisar que ela procure uma vítima de deslizamentos, mas se isso acontecer, o fato de já ter um cão que pode fazer esse serviço por aqui vai permitir agilizar o início da procura, o que pode ser fundamental para o sucesso das buscas e para fazer o salvamento de uma vida”, ressalta o comandante da Guarda Civil, Jeferson Calomeni.

O canil de Petrópolis tem oito cães adultos que fazem detecção de drogas e armas e que são usados para proteção (são usados, por exemplo, em manifestações e eventos com grande público). Além deles, o canil tem ainda dois animais para terapia com pacientes doentes.

 

Pastor belga-malinois é preparada para o trabalho

 

O treinamento de todos os animais do canil é feito pelo coordenador-técnico do canil, Leandro Lopes. Até aqui, ele preparou a cadela Tarja Preta para o mecanismo de procura. Agora, o próximo passo será fazer com a pastor belga-malinois de um ano e quatro meses consiga desenvolva o faro para procurar pelo odor exalado pelo corpo humano.

“Até aqui, a gente vem tentando fazer o treinamento com materiais com sangue, como algodão, gaze, absorvente. Fazemos sessões curtas de treinamento, de 20 a 30 minutos, sempre intercalando com um lado lúdico, como uma bolinha para ela brincar. A parceria vai nos possibilitar ter acesso a materiais humanos que seriam destinados como lixo de saúde e iriam para incineração”, diz Leandro Lopes.

Para poder usar esse material para a pesquisa, todos os procedimentos serão informados ao Ministério da Saúde e os resultados serão registrados por se tratar de um experimento científico feito com material humano. Além disso, as comissões de éticas da Universidade e do Hospital Universitário de Vassouras também terão que dar o aval, já que esse material vai vir de lá.

“O projeto que estamos fazendo será todo registrado na Plataforma Brasil (mantida pelo Ministério da Saúde) e vai acontecer dentro do que for aprovado pela universidade. Esse material seria descartado, jogando no lixo algo que pode ser valioso para a ciência. O que a gente quer é que esse material possa ser usado como uma “isca” para o cão aprender a procurar pelo corpo que está soterrado”, explica o biólogo e entomólogo (especialidade que estuda os insetos) forense, Alexandre Ururahy, que orienta a parte acadêmica do trabalho.

 

O treinamento

 

A partir do momento em que este material estiver disponível, ele passará a ser usado para que a cachorra comece a se familiarizar com o odor. Não há um tempo pré-determinado para que essa fase perdure, mas só depois disso é que será iniciado a segunda fase do experimento, que é quando o cão vai procurar por esse material em um circuito com diferentes profundidades (de 1, 2 ou 3 metros) e com diferentes níveis de decomposição (24h, 48h e 72h). O objetivo é identificar se o animal conseguirá encontrar esse material com essas diferentes condições.

“Não existe um protocolo em português sobre o treinamento de animais para procurar em escombros. Esse treinamento vem todo de fora. O que nós com esse estudo é mostrar a experiência brasileira sobre esse assunto, verificando se o animal encontra material humano nessas condições de profundidade e decomposição, em quanto tempo, etc.”, explica o professor de medicina legal da universidade, Eduardo Herrera, que é o autor da pesquisa dentro do mestrado que ele faz em ciências ambientais.

 

Curso internacional de detecção vai abordar resgate em escombros

 

Para isso, além do cão, a Guarda tem investido também na capacitação dos agentes que fazem o manejo dos animais. Na semana passada, Leandro Lopes participou de um curso em Macaé focado em “mantrailing”, que é o treinamento para busca por odor.

Em novembro do ano passado, ele e os agentes Vinicius Silva (coordenador operacional do canil), Carlos Oscar de Carvalho e Marcelo Dias participaram de um curso ministrado em São Paulo pelo alemão Andre Brendler, quando o principal objetivo foi aproveitar os ensinamentos voltados para a questão da detecção em escombros.

Referência mundial do assunto, Brendler dará mais um curso, dessa vez em Petrópolis, no 32º Batalhão de Infantaria Leve, entre os dias 13 e 15 de agosto, com a participação dos 11 guardas que fazem parte do canil de Petrópolis, além do comandante, Jeferson Calomeni. Mais uma a questão do resgate de vítimas será abordada junto aos participantes, bem como a detecção de drogas e armas.

“Esses cursos vão aprimorando as técnicas de treinamento empregadas no canil e ajudam a tornar os cães cada vez mais eficientes nos trabalhos e deixar os agentes com melhores táticas na condução e manejo dos animais”, ressalta Leandro.

 

 

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Prefeitura de Petrópolis