tn_IMG (1)

 

O Museu Casa de Santos Dumont e o Museu Imperial foram alguns dos cenários escolhidos por dois jornalistas da TV franco-alemã ARTE para ilustrarem um documentário sobre o centenário da antiga linha francesa de correio aéreo Aéropostale (que foi antes Linhas Aéreas Latécoère e posteriormente parte da formação da Air France). Mas, o destino principal da visita, que durou todo o fim de semana e continuou nesta segunda-feira (14.05), foi a histórica La Grande Vallée, a casa em Itaipava que virou atrativo turístico de Petrópolis por ter pertencido ao piloto da companhia Marcel Reine e ter recebido a presença ilustre do autor do livro “O Pequeno Príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry, que além de escritor também era aviador.

 

Os jornalistas vieram acompanhados da presidente da AMAB (Associação Memória da Aéropostale), Mônica Cristina Corrêa e fazem parte da comitiva que veio ao Brasil para participação de parte das comemorações do centenário por aqui, que contou até com presidente do RaidLatécoère-Aéropostale, HervéBerardi. A relação de Petrópolis com a aviação, como abrigar a casa de veraneio do inventor Santos Dumont, a locomotiva usada pelos pilotos que está no Museu Imperial e, claro, a casa histórica que era o refúgio dos pilotos entre uma viagem e outra atraíram a comitiva. Petrópolis desbancou diversas outras cidades que também contam um pouco da história da Aeropostale.

 

“Eles poderiam ter escolhido Pelotas, Santos, Vitória, além do próprio Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, que são lugares importantes para a história da companhia, mas decidiram por essa casa. E o mais curioso é que aqui não tem aeroporto, nem era escala. É uma casa. A biografia de Marcel Reine diz que ele tinha ideia de aposentar e vir pra cá”,explica Mônica.“E Petrópolis tem algumas coisas impressionantes nessa área da aviação. Quando o primeiro raid da companhia aconteceu, em 1925, a primeira missão que eles fizeram foi passar em São Paulo e deixaram cair faixas homenageando Santos Dumont. As duas histórias, os dois fatos, estão relacionadas com a cidade. E o terceiro fato é que o primeiro ministro da aeronáutica brasileira nasceu aqui, o brigadeiro Eduardo Gomes. Então a cidade tem três pontos da aviação fantásticos”, completou.

 

Em Itaipava, o imóvel mantém o nome dado por Marcel Reine: “La Grande Vallée”, uma homenagem à sua terra natal. E preserva traços daquele tempo, como o piso e o teto. Simples, com apenas um quarto, a casa foi sede de uma fazenda. Ao comprá-la, em 1934, Marcel Reine recebe autorização da Latécoère Airlines para descansar em Petrópolis durante as pausas nas entregas do serviço de correio aéreo. Não há fotos que comprovem a presença do autor de “O Pequeno Príncipe” na cidade, mas os relatos de um jornalista que acompanhava o grupo de pilotos e dos moradores do bairro servem como base para a afirmação de que ele ficou, por diversas vezes, hospedado na casa do amigo e colega de trabalho.

 

Para o assessor de marketing da Turispetro, Marcelo Florêncio, desde que virou um atrativo turístico, há cerca de três anos, o imóvel vem recebendo cada vez mais visitantes. “É ainda uma jóia a ser lapidada. Estamos dando todo apoio para que a casa se torne cada vez mais conhecida e atraia pessoas de todos os cantos do país e até de fora, como já vem acontecendo, inclusive com essa visita fantástica dos jornalistas internacionais. Cada novo atrativo que surge na cidade é muito importante, principalmente nos distritos, porque atrai mais pessoas e faz com que o turista permaneça mais tempo em Petrópolis, o que movimenta a nossa economia”, destaca.

 

Segundo o dono da casa, José Augusto Wanderley, que ainda mora no imóvel, os jornalistas ficaram encantados com o lugar e também com Petrópolis. “No fim de semana eles gravaram toda a casa e a visita de algumas pessoas que vieram conhecer. Também passaram pela Casa de Santos Dumont e pelo Museu Imperial e ficaram encantados. Hoje (segunda-feira), eles voltaram para o Centro da cidade para continuar filmando Petrópolis. Isso é muito bacana para nós”, disse.

 

A história

 

La Grande Vallée era usada pelos pilotos da companhia quando faziam escala no Campo dos Afonsos ou em Jacarepaguá, e de folga, iam passar dias na natureza, cavalgando e se divertindo.

 

A Fazenda São José do Magé e Ribeirão, como era chamada na década de 1910, pertencia a família La Rocque, que costumava receber seus amigos franceses, entre eles o experiente piloto Marcel Reine. O clima da Serra e as longas cavalgadas que fazia na região foram determinantes para que Reine se encantasse por Petrópolis e resolvesse, em 1934, comprar a casa da família.

 

No período que usou o imóvel, Reine trazia seus amigos pilotos, como Saint-Exupéry, e ainda intelectuais da época, como Alceu Amoroso Lima. No final da década de 1930, Reine foi transferido. O terreno foi loteado e a sede da fazenda vendida pelo empresário Joaquim Inojosa para a família de José Augusto.

 

O pai dele, Lourival Cavalcanti Wanderley, hoje dá nome a praça que tem no bairro, bem em frente à fonte construída em homenagem ao autor de “O Pequeno Príncipe”.    A fonte, de pedras, decorada com azulejos e a imagem do Pequeno Príncipe, foi restaurada em 2000, ano do centenário de Saint-Exupéry. Ela traz a frase: “o que torna belo o deserto é que ele esconde um poço nalgum lugar”.

 

Já dentro da casa, José Augusto preserva um verdadeiro santuário do Pequeno Príncipe. Desde a xícara de café com que recebe carinhosamente seus convidados – com o desenho do personagem – a diversas fotos, reportagens, livros, objetos decorativos e documentos, como a escritura da casa quando comprada por Marcel Reine. E ainda as diversas versões do livro mais famoso de Saint-Exupéry.

 

“La Grande Vallée” está aberta para visitação de quarta-feira a domingo, de 11h às 16h – mediante agendamento (grupos até 20 pessoas, escolas e visitas individuais). Os agendamentos podem ser feitos pelos telefones: (24) 2222-1388 e (21) 9 9354-3179. A casa fica na Estrada do Ribeirão Grande – Rua das Acácias, 102 – Itaipava. O ingresso custa R$ 25.

 
Texto: Assessoria
Foto: Divulgação