Temer ataca quem tenta andar sem ele, dizem aliados de Maia e Meirelles

Declarações do presidente de que preferia ver ministro na Fazenda do que disputando a eleição e de que presidente da Câmara tende a disputar a reeleição à frente da Casa, desagradaram apoiadores dos presidenciáveis

Nessa quinta-feira (11), o presidente Michel Temer falou sobre as possíveis candidaturas de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, e Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, à Presidência da República.

 No caso do primeiro, afirmou ao Estado de S. Paulo que preferia vê-lo na Fazenda do que disputando a eleição. Já sobre o deputado, disse acreditar que ele tende a disputar a reeleição à frente da Câmara.

A postura de Temer, segundo fontes próximas aos presidenciáveis, não teria sido bem digerida por eles. Mas, apesar do mal-estar, ambos teriam optado por reagir da mesma forma e não se pronunciar sobre o assunto.

A determinação de Meirelles, aliás, de acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, foi expressa: ninguém da sua equipe deveria comentar as declarações do presidente. Os aliados do ministro, no entanto, conforme informações de bastidores, teriam dito que Temer foi desleal ao desidratar as chances de o ministro concorrer ao Planalto, ainda mais no momento em que ele é alvo da artilharia de Maia.

Tanto para os apoiadores de Maia quanto de Meirelles, as afirmações de Temer tiveram o objetivo de sinalizar que ele é o árbitro do jogo. Avaliaram que o presidente ataca os aliados que tentam se projetar com as próprias pernas.

Além disso, ao elogiar Geraldo Alckmin (PSDB), dizendo que ele preenche os requisitos de “segurança e serenidade” buscados pelos brasileiros, Temer teria agido no sentido de pavimentar o apoio dos tucanos à reforma da Previdência, pondo fim aos arranhões causados entre Temer e o PSDB, após o partido votar rachado durante votação das denúncias.

Bom para o governador de São Paulo, que embora desacreditado por uma ala do PSDB, teve sua importância reforçada no jogo político. Já Meirelles ainda teve de terminar o dia com o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s.

Diante da repercussão das declarações, o presidente da República disse que não fala mais sobre eleição até que chegue o momento adequado.