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Na Europa do século XIX, a busca pela afirmação do nacionalismo provocou um contexto político instável, que oscilava entre a beligerância e a harmonia entre as nações. Desde há muito, os casamentos entre membros das famílias soberanas eram instrumentos fundamentais para o estabelecimento de pactos políticos e alianças estratégicas entre os países. No Oitocentos, ainda permanecia a marca dinástica dos Estados nacionais europeus com suas alianças bilaterais seladas por meio de enlaces principescos. E no Brasil, que ao conquistar sua independência optou pela forma monárquica de governo, a prática tornou-se igualmente corrente.

O acerto de um “negócio” [de Estado], como era chamado o casamento real, obedecia a uma diplomacia específica que, por sua vez, compreendia uma série de negociações e tratados estabelecidos entre as casas reinantes de onde provinham os noivos. Uma vez acertado o contrato, abria-se um período de cerimoniais próprios à importância do acordo político representado pela união.

Os himeneus – palavra de origem helênica usada para designar casamentos – aqui representados uniam, simbólica e diplomaticamente, o Reino de Portugal ao Reino da Espanha; o Reino de Portugal, Brasil e Algarves ao Império da Áustria; o Império do Brasil ao Reino das Duas Sicílias.

O segundo casamento de d. Pedro I, celebrado em 1829, unia a Casa do Brasil à Casa da Baviera, ao tempo em que fazia do imperador brasileiro o marido da neta da imperatriz Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte, e estabelecia a união dinástica Brasil-Leuchtenberg.

As alianças reforçavam a endogamia, multissecular, entre os Braganças, os Bourbon (e seu ramo Orléans), os Habsburgo, os Wittelsbach e os Wettin (em especial o ramo Saxe-Coburgo-Gotha).

Em muitas ocasiões, os “consórcios” eram celebrados por procuração, isto é, quando um dos noivos não está presente fisicamente ao evento, sendo representado por outra pessoa. Assim, os nubentes só se conheciam após a realização da cerimônia. Foi o caso do matrimônio de d. Pedro II com d. Teresa Cristina Maria, princesa do Reino das Duas Sicílias, em 1843. Por outro lado, o mesmo século registrou uma ligeira mudança em direção aos costumes da sociedade burguesa, quando, em 1864, as princesas d. Isabel e d. Leopoldina, filhas do casal imperial, puderam flexibilizar os acordos epistolares prévios e “trocar” de noivos, casando-se a herdeira com o príncipe Gastão de Orléans, o conde d’Eu, e a segunda com o príncipe Luiz Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha.

Casamentos e relações dinásticas no Brasil Imperial é um exercício de reflexão sobre a inserção do Brasil no cenário internacional de transição dos costumes e cerimoniais principescos para a modernidade.

 

 

Texto: Assessoria
Foto: Divulgação